Anos de verão na Bahia me mostraram que eu não nasci pra me bronzear. Sou do tipo que fica vermelha e depois descasca. Então, desde a adolescência eu decidi que adoro ser branquinha e nunca me exponho ao sol mais do que o necessário. Em Curitiba, ser assim não é muito difícil. Ou não era. Porque de poucos anos para cá, nosso verão deixou de ser de 24 graus, para ser um sol de matar, digno de qualquer nordeste. Só de andar na rua, passei a ostentar por aí aquele belo bronzeado de pedreiro - exibindo onde começa e termina a camiseta.
Não sei quando, mas comecei a olhar com inveja as velhinhas que andam de sombrinha pela rua. Elas sim, carregam sua sombra aonde quer que vão, enquanto os outros se acotovelam nas marquises. Passei então numa loja e comprei uma sombrinha muito fofa para mim. Hoje, com um solão de rachar, decidi dar uma de velhinha e saquei minha sombrinha em pleno centro de Curitiba.
Na realidade, andar de sombrinha é menos legal do que parece. Não é como uma marquise. O tecido não isola o sol tanto assim, por isso continua quente embaixo. É uma coisa a mais nas mãos; nos momentos que ventava, eu não sabia se segurava a sombrinha ou o meu vestido. Apesar de estar preparada pra tudo - risos, olhares estranhos, engraçadinhos dizendo que não estava chovendo, etc - nada de agressivo me aconteceu. Algumas pessoas olharam para mim sim, mas o seu olhar transmitia mais um "boa idéia a sua, quem dera!" do que outra coisa. Dois adolescentes que disseram que eu estava "tão bunitinha". No mais, tão ignorada como sempre.
Agora estou em casa, fresquinha, com a pele branca de quem não pegou sol. E conto essa experiência pra estimular você, leitora de todo esse Braziuziu, a andar de sombrinha também. Chega de pegar sol na rua, diga sim às sombrinhas no calor!
Off-topic: Não tenho gostado das minhas últimas postagens. É que falta apenas menos de 1 semana para a estréia e não tenho pensado em muita coisa a mais do isso.