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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

F

2 cositas
Minha letra e minha assinatura mudaram muito com os anos, mesmo porquê até uma certa idade os professores viviam me mandando escrever em cadernos de caligrafia. Uma característica constante na minha assinatura é o traço longo no F, cobrindo o resto do nome. Um dia vi uma figura de um livro de Grafologia, que mostrava esse tipo de traço como um grande guarda-chuva protegendo as pessoas embaixo. É sempre complicado fazer essas relações de forma mecânica, mas podemos dizer que meu F é uma característica de pessoas superprotetoras.

Eu só tive clareza do que essa superproteção significava quando meu irmão sofreu acidente de carro. Não gosto de CSIs da vida, não gosto de nada que envolva sangue. Corpo perto de mim só se for bem fechadinho e funcionando. Eu nunca tinha entrado num hospital e não gosto de passar nem na frente deles. O acidente me obrigou não apenas a entrar no hospital, como na UTI, a lidar com médicos (passei a odiá-los desde então), limpar traqueostomia, tirar pus de sonda na barriga e tudo o que aparecia pela frente. As enfermeiras achavam que eu era uma delas. Isso sem falar que estar num hospital público obriga a gente a estar sempre matando algum leão pra ser atendido.

Nada como uma situação de crise pra aumentar nosso auto-conhecimento.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Meme das irritações

6 cositas
Ninguém me passou esse. Estava procurando um meme e a primeira coisa interessante que achei no Google foi esta. Nem li direito porque me identifiquei tanto com as coisas que irritam o Bruno Melo que calhava de eu repetir o post dele. Então vamos lá, o meme é "Escreva sobre 5 besteiras que te irritam". Só cinco?

1. Na blogosfera: analfabetos funcionais
É foda: eu penso num tema, reflito sobre ele, lapido até ficar numa forma interessante de ler. Aí vem alguém do além, não lê direito o que eu escrevo e se dá ao direito de meter o pau. Por isso que os comentários são moderados. Criticar tudo bem, mas vamos concordar que a crítica deve ter alguma coisa a ver com que é dito no texto? Coincidência ou não, esses analfabetos funcionais adoram anonimato e miguxês.

2. No restaurante: quem se serve como se estivesse na Cerimônia do Chá
Todo mundo que come em buffet já passou por isso. Você com fome e com pressa (porque estar com pressa já é um estado de espírito num buffet) e alguém na sua frente resolve contemplar a comida. Olha as inúmeras opções, reflete, respira... enquanto a fila se avoluma. Aí na hora de se servir, faz questão de pegar 367873 grãos. Nem a mais, nem a menos. Pra isso, se serve de infinitas colheradas e chega até a devolver comida.

Essa é a versão pessoa-chata-na-sua-frente. Na versão pessoa-chata-que-está-atrás, eu me irrito com aquela pessoa que não se serve de nada e fica atrapalhando você. Aí a gente se serve correndo, achando que a pessoa quer justamente aquilo que estamos nos servindo. Só depois você percebe que o mané só queria aquilo que estava láááááá no fim do buffet. Então por que não deu a volta de uma vez???

3. Na filosofia de vida: vegetarianos radicais
Pra esse tipo de gente, não basta não comer carne: tem que encher o saco de todo mundo que come. Eles fazem cara de horror e discursam cada vez que alguém cita um bife. Todos os males do mundo se resumiriam ao fato de comer ou não carne; há poucos dias eu ouvi que o potencial da humanidade é viver 150 anos e não chegamos a esse número pura e simplesmente porque comemos carne. Isso sem falar que tudo é comparável a carne - ai do carnívoro que reclamar de guerra, violência ou espancamento de cachorro perto de um vegetariano. Ele logo será tachado de alguém tão violento quanto porque come carne.

E sabe o que é mais irritante ainda? Que essas pessoas tem um determinado perfil: são jovens, bem nascidos, fazem yoga do DeRose, universitários. Assim que deixam de ser qualquer uma dessas coisas, eles voltam a comer carne. Porque ser vegetariano quando se tem tudo na mão é muito fácil - quero ver ser vegetariano ganhando mal ou comendo em refeitório de empresa. Dá vontade de dizer: "Meu filho, se daqui há 5 anos você continuar vegetariano a gente conversa". Palavra de quem não come carne vermelha há mais de 15 anos.

4. Na biologia: o aparelho reprodutor feminino
A natureza estava de sacanagem (no mau sentido, o figurado) quando criou o aparelho reprodutor feminino. Ela deixou todas as vantagens com os homens e todas as desvantagens com a gente. Pra começar, aquela antiga queixa: homens podem fazer xixi de pé, enquanto nós temos que nos equilibrar sobre privadas sujas ou segurar o xixi até encontrar um lugar limpo. E os cuidados, as inseguranças, os micos e os gastos que menstruar todo mês nos causa? Como dizia a minha mãe, pior do que menstruar só parar de mestruar.

Sabia que a muitas doenças venérias ficam invisíveis (e até mesmo assintomáticas) nos homens e se manifestam nas mulheres? Porque a vagina é uma caverna escura e quentinha, perfeita para bactérias. Ou seja, o homem esfrega seu bilau em qualquer lugar e continua ótimo, enquanto com as mesmas bactérias a gente faz banho de assento e toma antibióticos. E os critérios de beleza, que agora invadem o que até pouco tempo era chamado de vergonha? Bigodinho de Hitler, virilha profunda, carequinha... como se já não bastassem todos os cuidados com pernas, axilas e buço, o machão que leva uma mulher pra cama pode se dar ao direito de ter nojinho se encontra pêlos lá?

5. Nas celebridades: Paris Hilton
Menos pela Paris Hilton em si e mais pelo que ela representa. Antes, para se tornar uma celebridade, era preciso se destacar em alguma coisa. Nem que essa coisa fosse somente o rebolado. Hoje em dia é possível ser famoso através da fama. Esse é o caso da Paris Hilton. Ela é famosa por ser famosa. Ela não faz nada, e nas poucas vezes que fez alguma coisa seu desempenho foi medíocre (dizem que até video do boquete é ruim). Ela vive de festa em festa e nem mau exemplo o suficiente é.

Não existem mais limites na tentativa de aparecer. Fico pensando nas pobres coitados que fazem de tudo para serem famosos. Que fazem plásticas esdrúxulas, que aceitam serem filmados 24 h, que topam comer olho de cabra. Hoje em dia, até ser flagrado fazendo boquete é uma honra se o video conseguir causar algum impacto. Porque tem gente que paga pra aparecer, não importa como e nem porquê. No outro extremo, há celebridades tão celebradas que não podem nem pintar o cabelo em paz. Menos, né?

Será que adianta repassar em meme pra alguém? Adoraria ler a irritação de: Ricardo, Anne, Pickler, Ligia, Julie, Queroul e .

Domingo, 5 de Julho de 2009

A grande amiga

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Soa péssimo dizer isso, mas não gosto de ser considerada A Grande Amiga. Quando começam a me elogiar demais, me dá até um ruim. Não é à toa que pessoas pela qual tenho grande afeição e admiração não se encontrem muito comigo. São todas pessoas cheias de projetos, amigos, estudos, ocupações, família e tudo o mais que torna uma vida completa. Quando nos vemos é ótimo. No dia seguinte, cada um vai pro seu lado porque há tantas outras coisas interessantes pra serem feitas que PUF! quando nos damos conta muito tempo se passou. E a cada reencontro - demore ele algumas semanas ou anos - as afinidades estão todas lá.

Quando alguém te elege a grande amiga, isso é uma responsabilidade. Depois de cada encontro, a pessoa ansiosamente já começa a contar os dias para o próximo - que tem que ser próximo! Há uma obrigação de contar tudo sempre, como se qualquer omissão rompesse a intimidade. E por falar em intimidade, ah! As grandes amigas sofrem o mesmo problema dos casamentos no quesito intimidade. O outro já não se preocupa mais sem ser agradável, em dar o melhor de si. Você não é a grande amiga? Então tem que suportar os lados mais feios, agressivos e grosseiros da personalidade do outro. A amizade deixa de ser um encontro feliz para ser um pacto onde tudo deve ser aturado, até mesmo coisas com a qual você nunca quis conviver.

Não elejo ninguém Grande Amigo. É mais uma chantagem do que uma declaração de afeto. As pessoas que gosto e admiro percebem isso nos meus gestos. Elas têm num lugar muito especial no meu coração e isso basta.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Burro-especialista

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Na terminologia psico-empresarial-idiota do momento, o nome disso é foco. Uma pessoa focada seria aquela que tem um objetivo e jamais se desvia dele. Na prática, o que vemos são criaturas que só respiram e vivem pra um assunto. Nos funcionários, quem lê Quem Mexeu no Meu Queijo pra baixo e vê qualquer filme com equipes como uma metáfora da vida empresarial; no ballet, gente que não apenas ignora qualquer outra forma de expressão artística como também ignora qualquer outra dança que não seja o ballet; nas religiões, naqueles que só lêem os livros sagrados e só ouvem musicas de louvor. Eu poderia me estender infinitamente nos exemplos, porque pra ser burro-especialista basta encontrar um assunto.

O efeito imediato é que esse tipo de gente é completamente mala. Se você quer perguntar algo sobre a área de interesse dele, vá em frente. Mas depois de ouvir a resposta, saia correndo - é tão raro alguém dar ouvidos a um tipo desses que todos são carentes*. Ironicamente, ser burro-especialista não ajuda ninguém a ser bom no que faz. Quem não se desvia, quem só trilha pelo conhecido, quem vive em função da cartilha, jamais é criativo. Pra ser bom, é preciso ter o que dizer. E ninguém tem o que dizer se não saiu viveu.


* O que nos leva ao antigo dilema Tostines: são carentes porque são malas ou são malas porque são carentes?

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

História verídica envolvendo mistério, humor e guarda-chuva

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Num dia chuvoso, há mais de 6 meses, me rendi ao apelo dos vendedores e comprei um guarda-chuvão vai à dez. Comprei um quadriculado azul e cabo arredondado. Num outro dia chuvoso, não muito tempo depois, cheguei na academia e o porta guarda-chuvas estava cheio. Deixei meu guarda-chuvão lá e quando cheguei não o encontrei mais. Fui logo dizendo pras recepcionistas que tinha sido roubada. Mas aí eu reparei que no lugar do meu havia outro guarda-chuva muito parecido. Do mesmo tamanho, com o mesmo cabo arredondado e quadriculado azul. As únicas diferenças é que o azul era mais escuro e o guarda-chuva automático. Me disseram que os guarda-chuvas tinham sido trocados e que eu devia levar aquele. Meio na dúvida se era isso mesmo e sem alternativas diante da chuva, levei. Quem havia saído ganhando era eu, porque aquele guarda-chuva era melhor. Nos primeiros dias, achei que a velhinha míope (já supondo preconceituosamente) me pararia na rua exigindo o guarda-chuva de volta. Isso nunca aconteceu, o tempo passou e adotei o novo guarda-chuva.

Há poucos dias atrás estava chovendo. Cheguei na academia e o porta guarda-chuvas estava cheio. Deixei meu guarda-chuva automático lá e... É exatamente isso que você está pensando: quando eu saí, meu guarda-chuva havia sido destrocado. Lá estava ele, o guarda-chuva não-automático de quadriculado azul que eu comprei há mais de 6 meses. O bom filho à casa torna e eu ri. Nunca saberei com que ele ficou todo esse tempo.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Pensamentos estranhos

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* Em dias frios, quando eu passo por um outdoor e uma pessoa está com pouca roupa (lingerie, biquini, shortinho), meu primeiro pensamento é algo como "Ela deve estar com frio". Depois eu me corrijo "Quando a foto foi tirada, não estava frio".

* Nas madrugadas de muita chuva, eu acordo preocupada se naquele momento as pessoas estão ficando desabrigadas.

* Quando eu ouço o termo "maior banda do mundo", sempre imagino um palco cheio de gente, com centenas de cantores, guitarristas, baixistas...

* Eu me preocupo que certos produtos supérfluos essenciais do nosso dia a dia deixariam de existir em caso de guerra/ fim do capitalismo/ invasão alienígena: "Eu sentiria falta do sabão de PH neutro pra lavar o rosto antes de dormir" ou "Como daria banho na Dúnia sem as petshops?"

* Quando vejo Lost ou qualquer filme com pessoas-perdidas-no-meio-do-nada, na hora do beijo eu sempre penso que os dois devem estar com um baita mau hálito. Deve ser por isso que as pessoas não se beijavam muito na ilha de Lost.

* Quando estou vendo um filme sem áudio mas com legenda, fico traduzindo as legendas em português para o meu (limitadíssimo) inglês.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Hammertime!

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Histeria coletiva
Histeria coletiva